24/07/2013

A água da antiga 'Fonte das Damas', perto dos Capuchos

Por entre a beleza da serra e da costa desta reserva natural Sintra-Cascais, o desastre ambiental também acontece.

Por estas encostas junto aos Capuchos abundam as minas e os fios água com origem no pico do Monge. Alguns correm em direcção à barragem da Mula e à Lagoa Azul, outros escolhem a vertente virada para Colares. 

A água da Fonte das Damas e a àgua da Sabuga são dois exemplos.




Esta ruínas aqui há muito que atestam o fim de um negócio local: a água da Fonte das Damas. 

Mas mais que os escombros, e a falta de cuidado em preservar a antiga fonte, despejam neste colo da serra uma carga de pneus mais ou menos velhos.... quem? com que propósito? simples vazadouro de lixo e entulhos?

  

Retiro agora do blog http://freguesiacolares.blogspot.pt/ 
A serra de Sintra é como que uma enorme rede de captação de água, que foi construída ao longo de muitas centenas de anos. Das mães-de-água e minas existentes, partem escondidas condutas e canalizações que abastecem fontes e reservatórios que abastecem as populações.
Foi isso que fomos descobrir, mas falemos um pouco da história da água na nossa freguesia.
Em Colares, existiram pelo menos três pequenas empresas de comércio de águas. Uma delas, na Vila de Colares, onde fica actualmente a Quinta do Sr. Cornélio da Silva; outra junto ao Convento dos Capuchos (cujas ruínas ainda podemos observar), que comercializava a água da Fonte das Damas; e outra no Banzão. Quanto a esta última, sabemos que em 16 de Fevereiro de 1905, foi pedida, por Joaquim Camacho Rodrigues, a concessão da “Água Mineral do Monte Banzão”. Esta água era engarrafada num anexo da casa do proprietário do Monte Banzão, através de um cano de ferro que ligava esse anexo ao poço. A água deixou de ser comercializada em 1913, por diminuição do caudal que se deveu a aluimentos de terras resultantes dos fortes abalos sísmicos de 1908.
A “Fonte das Damas” – bem perto do convento dos Capuchos – ainda é propriedade do Sr. Jorge Silva Jr. Em tempos idos a água era transportada por burros em bilhas de barro e vendida na Vila de Sintra e nas praias da região. Em 1937 foi construída a sua fachada, que ainda hoje se encontra no interior das ruínas. Depois da morte dos proprietários, a comercialização desta água foi encerrada, tendo os descendentes tentado, sem êxito, o retomar da actividade. Mais tarde, em 1984, a “Fonte das Damas” foi alugada a Ahmed Ebraim, de origem indiana – também proprietário de “Centro Comercial de Alvalade” –, que construiu a actual fábrica. A água era então engarrafada e vendida em garrafas plásticas, tanto no país como no estrangeiro. Problemas com a banca e outros obrigaram, novamente, ao encerramento do negócio, até hoje.

Citações em comentários do mesmo blog:
"Há cerca de 15 anos, mais coisa menos coisa, encontrei uma antiga exploração comercial de água perdida no meio da serra, nas proximidades dos Capuchos: a Água da Fonte das Damas. Era uma espécie de barracão, situado junto a um caminho muito escondido que ligava o Convento dos Capuchos às proximidades de Colares, mais concretamente à aldeia do Penedo e às traseiras da Quinta do Carmo. O barracão estava praticamente vazio, já sem maquinaria nenhuma, mas havia milhares de rótulos de garrafa muito coloridos espalhados pelo chão. Apanhei um rótulo para trazer como recordação, mas já não sei dele. Pelo aspecto gráfico dos rótulos, eles deveriam datar dos anos 60 ou 70. Fica numa zona a que chamam a Tapada da Torta. É realmente um lugar muito recôndito."

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