08/08/2013

PERCURSOS 07 e 08: Percurso duplo com centro na Peninha


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Ponto de partida e de chegada: terreiro de estacionamento junto da Peninha / Parque de Merendas próximo. Extensão 12 Kms   6+6.   Duração: 3 horas + 3 horas.   Dificuldade: Média - declive acentuado
Sugestão: divisão em 2 percursos, um mais a ocidente da Peninha e o segundo na parte nordeste como se pode ver no mapa. Executa-se um troço na parte da manhã, almoça-se no Parque de Merendas, efectua-se o segundo troço da parte da tarde.

perfil altimétrico das duas partes do percurso, à esquerda e à direita da linha vertical - referente esta ao local 'Pq Merendas'

O primeiro percurso, tem início no sítio da Peninha, uma área que evidencia sinais de permanência humana desde o Neolítico. É encimado por uma ermida, de onde se avista uma vastíssima paisagem que vai do cabo Espichel, a sul, às Berlengas, a norte. Inclui um conjunto de construções classificadas como Imóvel de Interesse Público. As características da vegetação envolvente - prados e matos –  foram determinadas pela utilização agro-pastoril ancestral, pelos fortes ventos e pelos fogos sucessivos.

O caminho ladeia depois a ermida próxima e mais antiga, de S. Saturnino, e continua por uma mata de cedros do Buçaco (Cupressus lusitanica), árvore não nativa de Portugal mas sim da América central, que evidencia tentativas de reflorestação da serra. Ainda hoje aqui encontram condições para sobreviverem algumas espécies-relíquia da floresta de lenhosas sempre-verdes - a Laurissilva. 

Depois de sair bosque o caminho continua por entre vegetação típica do clima mediterrânico: tojos, urze (Calluna vulgaris), carqueja (Genista tridentata). Um pouco à frente, inflecte-se à esquerda até um pequeno lago e miradouro próximo. A vegetação é aqui mais luxuriante acompanhando o pequeno ribeiro, o 'Rio Touro'. Voltando ao caminho que se vinha seguindo desde a Peninha prosseguimos para norte até se atravessar a estrada alcatroada que liga a Peninha ao cruzamento da Azóia.

Segue-se um caminho de terra, agora circular, e chegamos ao Adrenunes onde a disposição dos penedos lembra um monumento megalítico de tipo anta. Avista-se bem o farol do cabo da Roca e a Pedra da Ursa, a Peninha, o vale da Adraga e, mais ao longe, o casario da praia das Maçãs. Faz-se o percurso inverso em cinco minutos até à estrada 'principal', de terra batida, e aponta-se a nordeste até um cotovelo que permite aceder ao caminho que ladeia o cume dos Picotos (marco geodésico e pico de acesso difícil pela inclinação e abundância de tojo e carrascos altos, uma opção para os mais ousados) e mais à frente desembocamos no Parque das Merendas da Peninha local também rodeado de cedros, e a nossa charneira, aqui, entre os dois percursos. Do outro lado da estrada o local é também marcado por enormes pedras arredondadas - estão aqui a Fonte das Pedras Irmãs e as ocorrências graníticas dos Píncaros Novos.

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Segundo percurso. A 300 m para nascente do Parque das Merendas, já na estrada alcatroada, toma-se à esquerda uma estrada em terra batida, em rampa. Iniciamos assim a subida num percurso panorâmico, com a direcção do eixo da serra de Sintra, numa zona onde é possível a observação das aves de rapina: falcão peregrino, açor, gavião ou águia de Bonelli. Passa-se uma encruzilhada seguindo sempre em frente e atravessando uma mata de cedros. Consegue-se observar as formações do Cabeço da Raposa e Penedo do Alvante. Mais longe, uma boa perspectiva do Autódromo e da Costa do Estoril.

Ignorando outras possibilidades, vê-se já à direita do caminho e bem próximo, o Vértice Geodésico do Monge, classificado de 1ª categoria, dada a sua excepcional posição estratégica e grande alcance visual. Visitamo-lo, encontramo-nos agora no 2º ponto mais alto da serra de Sintra. A meia dúzia de passos dali, para Sueste, vemos uma série de blocos graníticos dispostos em semi-círculo. 

Estamos  na presença de um «Tholos», monumento funerário do Calcolítico e Bronze Final, implantado numa depressão granítica trabalhada pelo homem, e que era composto por uma câmara de falsa cúpula e um átrio ligado por um corredor. Mesmo a sul do caminho podemos repousar da subida por uns minutos num bosque frondoso e muito fresco.

Retomando ao trajecto anterior, descemos pelo caminho principal. Em breve estamos perante uma elevação dominada por grandes blocos de pedra, no cimo da qual se encontra uma cruz. Este 'monumento da Memória' evoca o grande incêndio do Verão de 1966, quando um grupo de 26 militares do Exército perdeu a vida a combater o primeiro dos grandes fogos que devastou a zona. Prosseguindo a descida, não deixemos de admirar, para Norte, o belo perfil do Palácio da Pena. Continua-se pelo caminho principal ignorando uma via mais à esquerda e atingimos a estrada principal, alcatroada, já no cruzamento de acesso aos Capuchos, e seguimo-la na direcção da Peninha.

Pouco depois a estrada cruza o que já o Ribeiro da Mula, e passamos junto às minas de água, do lado direito da estrada, com mais placas lembrando os que morreram a combater o grande incêndio de 1966 aqui neste monte do Monge, sobranceiro à via.

Um pouco antes da bifurcação que conduz - à direita, para a Peninha/Azóia, e à esquerda, para a estrada da Serra da Serra/Malveira/Linhó/Cascais - do nosso lado esquerdo podemos visitar o antigo Chafariz dos Currais

Passamos ainda pelo miradouro da Fonte Clara onde somos contemplados com uma vista soberba sobre a zona a sul da serra, com a Pedra Amarela no Cabeço da Raposa bem destacada a sudeste.
Falta pouco mais de meio quilómetro para estarmos de regresso ao ponto de partida no Parque das Merendas.




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