13/03/2015

Cascatas no rio Mourao

04/03/2015

03/03/2015

De novo 5ª feira 05 de Março, 10h00: PASSEIO 'PELOS CAMINHOS DE EÇA' Sintra Romântica



Dados sobre o percurso: Extensão: 5 kms   Dificuldade: Fácil / Familiar (3 hrs.) 


O nosso trilho parte do Palácio da Vila em direcção  ao Lawrence, passa pela Fonte e Cascata dos Pisões, logo adiante veremos a Quinta do Relógio defronte à Regaleira. Temos a opção de um curto desvio que nos conduz até aos jardins de Seteais e ao seu miradouro. 
Voltando ao largo junto à Regaleira, descemos o Caminho dos Frades e veremos um castanheiro que ali resiste desde a época dos Descobrimentos. 
Um novo desvio permite um giro pelo Caminho da Fonte dos Amores, e vislumbrarmos Monserrate, pois a fonte propriamente dita está hoje em propriedade vedada. 
No fim do Caminho dos Frades entroncamos no Caminho dos Castanhais.  Eça alojava-se numa das quintas aqui existentes, precisamente a Quinta dos Castanhais, embora  a esposa, Dª Emília de Castro (Resende), não apreciasse tanto estas paragens: “Tu detestavas a quinta dos Castanhais em Sintra, toda em socalcos, descidas, precipícios...” Carta à sua mulher, 2 Jun. 1898. 
Mas o escritor adorava de facto esta vila. E o caminho que escolhemos para esta experiência segue as pisadas de Eça de Queirós, fazendo juz a este romantismo eterno de Sintra. Aqui se cruzam a Sintra medieval e o verde deslumbrante da paisagem, mais ainda na parte do trilho fora da vila. “Tudo em Sintra é divino, não há cantinho que não seja um poema” – Eça de Queirós, Os Maias, 1888
Eça.Os Maias. Sintra. Conforme planeara, Carlos da Maia parte para Sintra com Cruges. O objectivo, inconfessado, é encontrar a misteriosa dama do Hotel Central. Estava para se hospedar na Lawrence, onde supunha que ela estivesse mas, num rebate de brios, decide ir para o Nunes. Ali encontra Eusebiozinho e um amigo, que tinham vindo para Sintra com duas espanholas. Cruges viera a Sintra uma única vez e apenas lhe ficara «uma vaga ideia de grandes rochas e de nascentes de águas vivas». Surpreendido com a ignorância do maestro, Carlos traça logo um itinerário de sabor turístico. Cruges deleita-se nas maravilhas da paisagem que o apetecível passeio proporciona. É através do olhar atento, quase fotográfico, do maestro que Eça de Queirós, no oitavo capítulo da grandiosa obra “Os Maias”, dá a conhecer as descrições das paisagens, dos monumentos, das ambiências de Sintra. Entrando em Sintra pelo  mesmo local que ainda hoje se entra para quem vem de Lisboa, o Ramalhão, chegam as primeiras descrições da paisagem natural e social de Sintra.
RAMALHÃO. “Mas a estrada entrava entre dois altos muros paralelos, donde soluçavam ramagens murmurosas. Era o Ramalhão. O ar parecia mais fino, como refrescado da abundância das águas. Sentia-se uma vaga serenidade de parques e arvoredos. Alguma coisa de suave e de elegante circulava. Havia o silêncio dos repousos delicados e das existências ocultas. Era o Ramalhão” (in Os Maias).  “ Vi-a numa noite doce, / Em que o rouxinol cantava: / E todo o céu se estrelava, / Luminoso pavilhão: / Era Sintra! Sinto ainda / O doce correr das fontes, / E a sombra nas nossas frontes / Das árvores do Ramalhão. (in A Tragédia da Rua das Flores).
PALÁCIO DA VILA. D. João I mandou construir as cozinhas com as enormes chaminés, que se tornaram o símbolo da vila e D. Manuel I acrescentou a ala Manuelina e redecorou o interior com azulejos, que são exemplares únicos do estilo Mudejar. “ Só ao avistar o Paço descerrou os lábios: - Sim, senhor, tem cachet! E foi o que mais lhe agradou - este maciço e silencioso palácio, sem florões e sem torres, patriarcalmente assentado entre o casario da vila, com as suas belas janelas manuelinas que lhe fazem um nobre semblante real, o vale aos pés, frondoso e fresco, e no alto as duas chaminés colossais, disformes, resumindo tudo, como se essa residência fosse toda ela uma cozinha talhada às proporções de uma gula de rei que cada dia come todo um reino…” (in Os Maias)
QUEIJADAS. A marca mais antiga é a Sapa, sendo no entanto muito conhecidas as Queijadas da Periquita, da Casa do Preto e do Gregório. “Ega ia largar atarantadamente o embrulho, para apertar a mão que Maria Eduarda lhe estendia, corada e sorrindo. Mas o papel pardo, mal atado, desfez-se; e uma provisão fresca de queijadas de Sintra rolou, esmagando-se, sobre as flores do tapete. Então todo o embaraço findou através de uma risada alegre.” (in Os Maias)
HOTÉIS LAWRENCE (desde 1780) e NUNES (onde é hoje o Tivoli). "Via-se bem, à mesa do Lawrence, com os seus dois candeeiros de azeite, as duas janelas para o terraçozinho” “…enquanto vocês vão ao Nunes pagar a conta e dar ordens para o breque, eu vou-me entender lá abaixo à cozinha com a velha Lawrence e preparar-vos um bacalhau à Alencar, recipe meu… E vocês verão o que é um bacalhau! Porque lá isso, rapazes, versos os farão outros melhores; bacalhau não!” (in Os Maias). “Na praça, por defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol, através das grades da cadeia, os presos pediam esmola. Crianças enxovalhadas e em farrapos, garotavam pelos cantos; e as melhores casas tinham ainda as janelas fechadas, continuando o seu sono de Inverno, entre as árvores já verdes”. (in Os Maias) Nota - outro antigo hotel da época, o Costa, é hoje o posto de turismo.



SETEAIS. Diz a lenda que uma princesa moura cheia de saudades do seu amado, que partira para a guerra, foi largando suspiros e ao sétimo “ai” morreu. Contudo, parece que naquele espaço existiram campos de centeio ou de centeais, que se julga de onde veio o nome Seteais. “Quantos luares eu lá vi? / Que doces manhãs d ´Abril? / E os ais que soltei ali / Não foram sete mas mil!” (in Os Maias)

SETEAIS / PENA. “No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente, e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando-se vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro (…) Cruges, no entanto, encostado ao parapeito, olhava a grande planície de lavoura que se estendia em baixo, rica e bem trabalhada, repartida em quadros verde-claros e verde-escuros, que lhe faziam lembrar um pano feito de remendos.” (in Os Maias).

CASTELO DOS MOUROS. “de vez em quando aparecia um bocado de serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias.”

FONTE DOS AMORES / SETEAIS. De entre os vários escritores que consagram essa imagem de Sintra, Eça de Queirós assume especial relevância, pois Sintra surge quase como personagem ou cenário imprescindível em várias das suas obras, principalmente no seu maior romance de referência, Os Maias.  “O quê!, o maestro não conhecia Sintra?...Então era necessário ficarem lá, fazer as peregrinações clássicas, subir à Pena, ir beber água à Fonte dos Amores, barquejar na Várzea…”; e Cruges desvenda o seu mais vivo desejo: “ A mim o que me está a apetecer muito é Seteais; e a manteiga fresca” (in Os Maias)






CASTANHAIS “ os muros estavam cobertos de heras e de musgos: através da folhagem, faiscavam longas flechas de sol. Um ar subtil e aveludado circulava, rescendendo às verduras novas; aqui e além, nos ramos mais sombrios, pássaros chilreavam de leve; e naquele simples bocado de estrada, todo salpicado de manchas de sol, sentia-se já, sem se ver, a religiosa solenidade dos espessos arvoredos, a frescura distante das nascentes vivas, a tristeza que cai das penedias e o repouso fidalgo das quintas de Verão…” (in Os Maias)

QUINTA DA PENHA VERDE. (…) as sestas quentes, nas sombras da Penha Verde, ouvindo o rumor fresco e gotejante das águas que vão de pedra em pedra (…) - in O Primo Basílio, 1878

Esta caminhada pelos Castanhais poderia fazer parte de uma tal Sintra, capital do Romantismo? Talvez. Eça de Queiroz, por exemplo, palmilhava-o diariamente, quando passava temporadas em Sintra com a família, na Quinta dos Castanhais. 

Que rica maneira de homenagear a sua memória!

01/03/2015

Sugestão: Voucher 'Caminhada + Degustação' (visita a vinhas, quinta, adega e prova de vinhos)

Sugerimos algo para o final da caminhada: visita a vinhas, numa quinta na região de Almoçageme, Colares, em Sintra. As vinhas mais ocidentais da Europa. Uma prova de vinhos a encerrar a experiência.




(...) No fim do nosso percurso há a opção de se visitar uma bela quinta disposta numa das encostas da serra de Sintra, virada a ocidente, e debruçada sobre Colares.
Dizem ser aqui ‘os vinhedos mais ocidentais da Europa’. Correcto!
E aqui estamos nós, podendo observar a toda a volta das vinhas, milhares de roseiras, as vinhas estão literalmente cercadas por este encantador jardim.  Tempo depois de visitar as adegas e saborear esse néctar divino representado no soberbo vinho aqui produzido (...)




Campo de Voo de Alqueidão, perto da Azambuja

outra vista deste LandAfrica

Em plena lezíria, no Campo de Voo do Alqueidão

São fabricadas em Portugal, estas pequenas aeronaves, 
que têm uma visibilidade espectacular

Dia 8 de Março é Dia Internacional da Mulher - Promoção Vouchers para Elas

Durante todo o mês Vouchers a 6,00€ 

válidos para percursos pedestres diurnos