02/11/2015

COMO FORAM OS MOUROS DO CASTELO DE SINTRA TER A... RIO DE MOURO?


Um texto que explica, ou leva a novas interrogações... Tentámos investigar sobre 'Rio de Mouro', Colaride, Ribeira das Jardas, enfim, o local por onde saíram de uma eventual passagem secreta, túnel de 8 kms, os mouros que dendiam em 1147 o Castelo em Sintra.


Num compasso de espera, manobra consentida, permitiu-se a saída, a fuga dos mouros, do seu castelo. Alcaide e respectiva guarda. Túneis ligariam o castelo ao centro da vila de Sintra - zona onde é hoje o paço real e alberga uma correnteza de edifícios doados aos Templários no século XII.

Uma bifurcação sob o actual Café Paris / Hotel Central conduzirá por outro túnel, mais longo, até 'Rio de Mouro'.

Vamos entretanto a uma explicação, mais que uma, aliás, dado no blog 'TudoDeNovoaOcidente', pelo menos para a designação de 'Rio de Mouro':

(...) TOPONIMIA SINTRENSE : RIO DE MOURO
O nome das localidades é difícil de decifrar, em alguns casos quando não há certezas recorre-se à "lenda" ou à "tradição" para justificar o que é duvidoso. Vejamos um exemplo: Rio DE MOURO no Concelho de Sintra.


Uma das hipóteses inserida no "Memorial Histórico ou Colecção de Memórias Sobre Oeiras", vai no sentido seguinte:"Rio de Oeiras/ribeira da Lage [ou ribeira de rio de Mouro] nasce acima do pequeno Lugar de Fanares, aqui lhe chamam rio das enguias, à saída da Quinta do Basto entra em uma ponte de boa cantaria por cima da qual passa a Estrada Real de Sintra.

Aqui tem o nome de Rio DO Mouro, que o transmite a este lugar, onde segundo a tradição morreu o Mouro Albaráque Governador do Castelo de Sintra ou Cyntia, fugindo na ocasião da sua conquista por D.Afonso Henriques. Outros dizem que o dito Mouro, fora morto no Lugar que tem o nome de ALBARRAQUE e o enterraram nas margens deste Rio".
Para reforçar a "tradição" o autor alterou: Rio de Mouro para Rio do Mouro.
Continuando: "Quase a chegar ao Sítio de Asfamil lhe dão o nome de Rio dos Veados. Passa pelo Lugar da Laje e correndo com nome de Oeiras...ele se mistura no Oceano". Em Santo Amaro de Oeiras.

A nossa versão,alicerçada no estudo da região onde corre o curso de água demonstra que aqui, os topónimos Mouro e Mourão coexistem. Mourão deriva de "parede" "muro grande" e também de lajes de pedra que se colocavam verticalmente em redor das eiras para proteger o cereal do vento e dos animais. Essas pedras designam-se Mouros ,sendo utilizadas nas vinhas para suportar as varas da empa das vides.

No caso do nosso Rio, desde tempos recuados os proprietários dos terrenos adjacentes, no troço compreendido entre a quinta da Preza e Francos, desviaram o curso obrigando o rio a correr entre Mouros ou Mourões de lajes e mais tarde entre muros para aproveitarem as terras férteis de aluvião.
Esta obra hidraulica ainda hoje se pode observar:ver imagem. Deste modo, RIO DE MOURO significa: RIO QUE CORRE ENTRE MOUROS ou MUROS ALTOS. A lenda não é mais forte que a evidência,só por falta de estudo se tem mantido.
Neste caso, a lenda, como justificamos, é uma fantasia.(...)

***


As interrogações não se ficam por aqui. É que quase paralela corre entre Cacém e Agualva a Ribeira das Jardas ou ribeira de Agualva, e aí, na margem esquerda, a oriente, há a gruta de Colaride, onde segundo alguns irá desembocar o tal túnel proveniente de Sintra e do castelo dos Mouros:

Corria o ano 1147. O alcácer fortificado de Xentra acabara de ser ocupado pelas forças sitiantes de Ibne Arrique. Não se dera terçar sangrento. As espadas e as cimitarras não haviam deixado o repouso das bainhas. Os alaúdes e as cítaras não haviam parado para repousar; os risos, os cantos e as danças descuidaram a interrupção… Houvera acordo: Cristãos e Mouros poderiam coabitar na maior paz e concórdia nesta Meca ocidental, nesta Tulan de antigos e coevos onde o sangue de homem jamais deveria profanar a Terra de Deus.



«Paraíso Terreal»! – Al-Shantara, Xintara, Xentra, Cyntia, Cintria, Cintra, Sintra.
Assim foi, assim se deu. Ficando firmados no alcácer os acordos de respeito e boa convivência mútuas, os Cavaleiros do manto branco em que se lavrava a Cruz vermelha de Cristo, fizeram-se ao castelo no cimo do Monte dos Penedos, altaneiro e misterioso.
Ibne Arrique, ou seja, Afonso Henriques, ia na dianteira. Ele sabia o que os esperava… Dera tempo para a retirada segura dos discretos eremitas e santões Muridj dessa Rábita do Ocidente, dessa Torre da Fé islâmica onde os mais sábios e perfeitos, morabitos reclusos voluntários na Serra da Lua, viviam apartados dos de baixo, dos da almedina vilareja, e tendo a protegê-los externamente uma guarda pouco mais que simbólica de 30 guerreiros, os Refik.
Ante o pasmo não de todos mas da maioria dos Templários, o castelo estava vazio, a mesquita de Fátima, ao lado, despojada das suas relíquias sagradas… não se via vivalma. A vida humana havia desaparecido como por encantamento, como que tragada nas entranhas cavernosas desta Serra teimando, contrariando todos os acidentes próprios à vulgar natureza do ser homem, em manter a condição milenar de Sagrada, essa mesma advinda dos alvores do Género Humano.
O olhar mais atento de alguém, talvez o Grão-Mestre Gualdim Pais, acaba divisando, por entre as brumas da serrania e à porta da fortaleza, um vulto humano. Era um velho, um ancião de Xentra que recebe Ibne Arrique com um sorriso repleto de enigma, e logo após lhe entregar a Chave da Rábita retira-se subindo por ponto adarve, assim também esse velho desaparecendo nas entranhas do mistério… o último Muridj ou Mouro de Xentra.
Foi assim que Sintra foi «conquistada» aos Mouros, na narrativa das crónicas e lendas antigas, não com estas palavras textuais mas com as de cada autor e todos de acordo quanto à descrição do acontecido.
Como puderam desaparecer tão misteriosamente os mouros do castelo? Por onde desapareceram? Para onde foram?
Certo é que havia «boca de fuga», e esta estaria junto à torre albarrã, numa tulha escondendo um túnel ligando o castelo a Rio de Mouro que então ainda não existia como povoação, tão-só uns míseros e dispersos casebres na paisagem plana, então enfeitada com o arraial de D. Afonso Henriques – seriam 6 a 8 quilómetros em linha recta, de caminho subterrâneo. Será isto verdade?
A verdade é que o Rio de Mouro (antes, de Mouros) existe e o túnel ou gruta também, precisamente em Colaride, no limite Este do Cacém e que antanho pertencia à freguesia do Algueirão – Rio de Mouro. Ainda hoje corre aí a Ribeira das Jardas que separa as duas freguesias, sendo curioso que a palavra árabe cacéme (donde cacém) significa precisamente “a divisão”.
Esta gruta de Colaride é também donominada “Gruta dos Mouros”, “Fojo dos Mouros”, “Algar”, etc. Possui quatro poços sendo o maior de 12 metros de profundidade, dois com uma profundidade de 7 metros e um último com 4 metros. No fim do primeiro poço existe um sifão temporário. Sendo uma gruta própria para especialistas em espeleologia, é altamente irrecomendável a visita a ela por curiosos incautos devidos aos perigos que a sua estrutura acidentada apresenta, já aí tendo ocorrido alguns acidentes graves.
No seu interior, correm duas ribeiras subterrâneas e há uma cascata de 15 metros de altura e um lago, havendo alguns corredores e galerias de grandes dimensões que já foram designados com nomes como “Sala das Lamas” ou “Sala do Túmulo” (este último epíteto é bastante significativo, por um facto mantido secreto mas que descreverei mais adiante).
É desta gruta pré-histórica ligando o cimo da Serra de Sintra à planura mais adiante que a cerca, que o Algueirão herda o seu nome, pois o nome árabe Al-Gueirum, plural de “Algar”, significa exactamente “Caverna”. Mais adiante desta localidade, levanta-se a Serra das Minas!…

***

O Visconde de Juromenha, na página 134 da sua Cintra Pinturesca, Lisboa, 1838, após pegar na tradição oral correndo na terra, escreveu sobre o assunto indicando a passagem subterrânea no Castelo dos Mouros:
«Indo para a primeira torre se encontrava uma tulha que tinha cinco palmos e meio de diâmetro, por onde dizem que havia uma estrada encoberta que ia até Rio de Mouro, e que dela se denominara o dito Rio, e para a parte direita se divisava o sinal de uma porta por onde dizem era a dita entrada.»
Conhecedor dessa tradição mais oral que escrita e decerto suspeitando não haver fumaça sem fogo, em 1970-72 o espeleólogo Augusto Morgado investigou e descobriu a dita passagem subterrânea do castelo, notícia que publicou no jornal Época, 12 de Agosto de 1972. Ao mesmo tempo é descrita a passagem subterrânea que liga o espaço actual da cave do Café Paris ao Palácio da Vila e que sobe subterraneamente até ao Castelo, facto já conhecido dos Templários que estiveram acantonados no lugar das Murtas e foram os primeiros a restaurar esse primitivo Palácio árabe, dando-lhe feição ocidental, românica originalmente (século XII), e depois gótica já pela mão da Ordem de Cristo (século XIV). Exemplo de hipógeo com fim ritualístico será também o conjunto de galerias subterrâneas ocultadas nas traseiras do edifício oitocentista do Café da Avozinha defronte para o Palácio, antigo Paço Real.
A verdade é que debaixo do Castelo dos Mouros existe uma imensa gruta natural que é das mais belas da Serra, entrando-se por baixo (está vedada por uma porta de ferro) junto ao caminho que leva à entrada principal no mesmo. Junto a ela passam diariamente inúmeros visitantes, por certo completamente alheios da maravilha natural que aí se esconde.
Há ainda a lenda da “Moura dos Sete Ais” (Seteais) que deu sete supiros pelo cavaleiro cristão, talvez Templário, D. Mendo de Paiva, quando este a viu com outros mouros escaparem-se por uma porta secreta no Castelo e a fez cativa… Trata-se de uma “lenda de amor” inserta no imobiliário das lendas de “Mouras encantadas”, tal qual aquela outra versão da moura Zaida, filha do alcaide do castelo, dada de amores por um cavaleiro cristão mas que desapareceu nas entranhas da Terra por uma passagem secreta que a lenda diz haver aí, no próprio castelo, na parte que hoje dá para o fronteiro Palácio da Pena ou da Penha(...).


Em suma, Albarrak, alcaide do Castelo dos Mouros, safa-se incólume do cerco, escapa por um túnel até Colaride, junto à Ribeira das Jardas, e vem a morrer em peleja junto à outra ribeira, a da Laje / ou Ribeira do Rio de Mouro.

Sem comentários:

Enviar um comentário